A parcela sobe de tempos em tempos — e isso não é juro. Veja qual índice corrige a sua carta de crédito, quando a atualização acontece e como manter o plano dentro do orçamento.
← Voltar para o BlogA parcela que você paga hoje no consórcio provavelmente não será a mesma daqui a um ano — e isso costuma assustar quem entrou no plano imaginando prestação congelada. O reajuste, porém, não é juro: ele existe para que a sua carta de crédito continue comprando o mesmo bem lá na frente. Neste guia você entende qual índice corrige o seu plano, quando a atualização é aplicada, o que muda no saldo devedor e como se organizar para que a correção nunca vire um problema no orçamento.
No consórcio, você não contrata um valor em reais congelado: contrata o direito de receber uma carta de crédito suficiente para comprar determinado bem. Se essa carta ficasse parada no tempo enquanto imóveis, veículos e materiais de construção sobem de preço, o consorciado seria contemplado com um crédito defasado e teria de completar a diferença do próprio bolso.
Para evitar isso, o contrato prevê a correção periódica da carta por um índice. Quando a carta é atualizada, o saldo devedor e as parcelas acompanham na mesma proporção — afinal, todo mundo no grupo paga em percentual do valor do bem, e não em reais fixos. É esse mecanismo que mantém o fundo comum equilibrado e permite contemplar consorciados mês após mês, sob a fiscalização do Banco Central.
Não existe um índice único para todo consórcio: o que vale é o que está escrito no seu contrato e no regulamento do grupo. Os critérios mais comuns são:
INCC — Índice Nacional de Custo da Construção, usado com frequência em planos imobiliários e em consórcio para construção, porque acompanha o custo de obra.
IPCA ou IGP-M — índices gerais de preços, adotados por parte das administradoras em planos de imóvel pronto, serviços ou crédito para reforma.
Tabela do fabricante ou preço médio de mercado — padrão em consórcio de carro e de moto, em que a carta segue o preço do modelo escolhido.
Antes de assinar, localize no contrato duas informações: qual é o índice e em que mês ele é aplicado. Duas cartas do mesmo valor podem se comportar de formas bem diferentes ao longo de dez ou quinze anos só por causa desse detalhe.
Na maior parte dos planos, a correção é anual e acontece na assembleia de aniversário do grupo — ou seja, todos os cotistas daquele grupo são reajustados juntos, na mesma data, independentemente de quando cada um entrou. Em planos atrelados à tabela do fabricante, a atualização pode seguir outra periodicidade.
O cálculo é mais simples do que parece. A carta de crédito é corrigida pelo índice; o saldo devedor, que é um percentual dessa carta, sobe na mesma proporção; e a nova parcela nasce da divisão desse saldo pelo número de prestações que ainda faltam. Repare que os percentuais contratados — fundo comum, taxa de administração e fundo de reserva — continuam os mesmos: o que muda é a base sobre a qual eles incidem.
Um exemplo apenas ilustrativo: se a carta for corrigida em torno de 5% num ano, a parcela também sobe perto de 5%. E, do outro lado da conta, o crédito que você vai receber cresceu na mesma medida — você paga mais, mas também compra mais.
Quer saber exatamente como o reajuste afeta o seu plano até o fim do prazo? A Agion simula o seu consórcio com a correção embutida e mostra o impacto real no orçamento.
Falar com um especialistaEsse é o ponto que mais gera confusão. No financiamento, o banco empresta dinheiro e cobra juros por isso — na casa dos 8% a 12% ao ano em boa parte das linhas imobiliárias — e ainda aplica correção sobre o saldo. São duas coisas somadas: o custo do dinheiro emprestado mais a atualização monetária.
No consórcio não há dinheiro emprestado: o grupo se autofinancia. Por isso não existem juros. O que existe é a taxa de administração, contratada em percentual, mais a correção que apenas repõe o preço do bem. É uma diferença de natureza, não de nome — e ela aparece no total pago ao fim do plano. Se quiser ver as duas contas lado a lado, vale ler consórcio ou financiamento.
Ainda assim, seja honesto com o seu orçamento: o consórcio não tem parcela fixa em reais. Quem promete prestação imutável por 15 anos está ignorando o contrato.
A correção só vira problema quando o plano foi contratado no limite do orçamento. Algumas práticas simples resolvem quase todos os apertos:
Contrate com folga. Escolha uma parcela que caiba confortavelmente hoje, prevendo atualizações anuais ao longo do plano.
Acompanhe as assembleias. A administradora informa o índice aplicado e o novo valor; saber com antecedência evita surpresa no boleto.
Use o lance a seu favor. Um lance pode antecipar a contemplação e, dependendo da regra do grupo, reduzir prazo ou parcela.
Reveja o tamanho da carta. Se a prestação apertou de verdade, reduzir o crédito costuma ser melhor do que sair do consórcio.
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